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Patagônia: o que levar para as quatro estações em um só dia
Vento que tira você da trilha, sol, chuva com neve e uma geleira antes do almoço. O que levar para fazer trekking em Torres del Paine e El Chaltén entre novembro e março.
PNT · FTE
- Quando
- Novembro–março
- Clima
- 2–18 °C, vento forte
- Na mala
- Corta-vento, camadas, bastões de trekking
A história
O terceiro dia de trilha em Torres del Paine começa lindo. O sol nasce às 5h30, o lago abaixo do refúgio está turquesa, e às 8h você já caminha de camiseta. A mochila está pesada, cheia de camadas que você ainda não usou, e você se pergunta, pela primeira vez, se exagerou na bagagem.
Às 10h, você chega a uma crista, e o vento vem com tudo. Não é uma brisa: é uma parede de ar que empurra você para o lado e quase leva o seu chapéu. Na Patagônia, as rajadas passam dos 80 km/h com frequência, e você aprende a parar, fincar os bastões e esperar passar. O fleece e o corta-vento saem da mochila.
Ao meio-dia, o céu sobre a geleira fica cinza e começa a cair chuva com neve, de lado, direto na sua cara. Você veste a calça impermeável. A capa de chuva da mochila tremula feito bandeira e depois vira do avesso, mas tudo lá dentro continua seco, porque você arrumou tudo dentro de um saco impermeável.
Às 14h, o sol volta e você está suando de novo. Às 16h, você chega ao mirante. As torres de granito se erguem sobre um lago glacial, nítidas contra o céu, e o vento quase parou. Você senta numa pedra, come e tira uma camada.
À noite, no refúgio, alguém resume o dia como “quatro estações antes do jantar”. A Patagônia não castiga quem leva camadas demais; castiga quem deixa uma para trás.
O que levar
Leve camadas que você consiga pôr e tirar em um minuto, e mantenha tudo seco dentro da mochila.
Roupas
- Uma jaqueta corta-vento e impermeável, com um bom capuz. É o item mais importante.
- Calça impermeável.
- Duas blusas segunda pele de lã merino, e uma ceroula para as noites frias.
- Um fleece e uma jaqueta fina de pluma.
- Calça de trilha; bermuda raramente compensa.
- Gorro, luvas e gola tubular, mesmo em dezembro e janeiro.
- Um chapéu de sol com cordinha para prender no queixo, senão o vento leva.
Calçados
- Botas de trekking impermeáveis, amaciadas bem antes da viagem.
- Calçados leves para os refúgios e as cidades.
Para a trilha
- Bastões de trekking: ajudam nas descidas íngremes e no vento.
- Um saco impermeável para forrar a mochila por dentro, ou sacos estanques. Capas de chuva voam ou viram do avesso com o vento.
- Protetor solar FPS 50, protetor labial e bons óculos escuros: tão ao sul, o sol é forte.
- Uma garrafinha reutilizável; a água dos riachos muitas vezes é potável, mas pergunte aos guarda-parques.
- Lanterna de cabeça, um kit básico de primeiros socorros e curativos para bolhas.
Documentos, dinheiro e eletrônicos
- Passaporte: muitos roteiros cruzam a fronteira entre o Chile e a Argentina.
- O ingresso do parque e as reservas de refúgios ou áreas de camping.
- Algum dinheiro vivo em pesos para El Chaltén, onde os caixas eletrônicos muitas vezes ficam sem cédulas.
- Dois adaptadores de tomada (veja abaixo) e um carregador portátil; nos refúgios, a recarga de aparelhos é limitada.
Bom saber
- Clima: na temporada (de novembro a março), conte com algo entre 2 e 18 °C, dias longos (até 17 horas de luz em dezembro) e vento forte. O tempo muda em minutos.
- Reserve antes: em Torres del Paine, é preciso ter reserva nos refúgios e campings antes de começar os circuitos W ou O, e os ingressos do parque são vendidos online. As trilhas de El Chaltén são gratuitas.
- Fronteira: o Chile não permite que frutas frescas, verduras, carnes ou laticínios cruzem a fronteira. Declare qualquer comida que estiver levando.
- Tomadas: o Chile usa os tipos C e L, e a Argentina, o tipo I, ambos com 220 V: você vai precisar de dois adaptadores diferentes.
- Dinheiro: peso chileno (CLP) e peso argentino (ARS). Cartão funciona na maioria dos lugares.
- Entrada: confira as regras de entrada do Chile e da Argentina para o seu passaporte.