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À caça da aurora boreal em Tromsø e na Lapônia: como fazer a mala para −20 °C
Noites longas, frio seco e horas em pé, quase sem se mexer, debaixo do céu. A história de uma noite de aurora, e as camadas, botas e baterias que deixam a espera confortável.
TOS · RVN
- Quando
- Fevereiro–março
- Clima
- −25 a −2 °C
- Na mala
- Lã, jaqueta de pluma, botas quentes
A história
A van encosta à beira de um lago congelado, a uma hora da cidade, longe de qualquer poste de luz. O guia desliga o motor, e o silêncio é enorme. São 23h e faz −22 °C. Todo mundo desce, olha para cima e não vê nada além de estrelas.
Numa noite de aurora, quase tudo é espera. Você fica em pé, anda em pequenos círculos, bebe o suco quente de cassis que o guia serve da garrafa térmica. E o frio começa por onde sempre começa: pelos pés. Depois vêm as pontas dos dedos, porque você tirou as luvas para montar a câmera.
À meia-noite e meia, um arco cinza-claro aparece sobre os morros. Por um minuto, você acha que é uma nuvem. Aí ele fica verde, e depois se mexe: dobra, ondula, e uma cortina de luz desce pelo céu tão rápido que o grupo inteiro se cala. Você pega o celular para filmar, e a tela apaga. Dez minutos antes, a bateria marcava 60%. O frio acabou com ela.
Por sorte, você tem uma bateria reserva no bolso interno da jaqueta, aquecida pelo corpo. Você faz a troca com as luvas finas nas mãos e garante a imagem.
Na volta, meio dormindo e feliz da vida, você pensa no que deu certo. O macacão térmico que a agência emprestou, por cima das suas próprias camadas. Meias de lã. Botas feitas para aguentar −30 °C. Luvas do tipo mitten em vez de luvas com dedos. E baterias guardadas junto ao corpo. A aurora não se importa com o frio que você está sentindo; é a sua mala que decide quanto tempo você aguenta esperar por ela.
O que levar
Você vai passar horas ao ar livre, quase sem se mexer. Faça a mala para a espera, não para a trilha.
Roupas
- Duas segundas peles de lã merino (blusa e ceroula). A lã continua aquecendo mesmo úmida.
- Uma camada intermediária de fleece ou lã.
- Uma jaqueta de pluma quente e uma camada corta-vento por cima (ou uma parka que faça as duas coisas).
- Calça de neve com isolamento térmico.
- Meias de lã: um par fino por baixo e um grosso por cima, e botas com espaço para os dois.
- Um gorro quente que cubra as orelhas, uma balaclava ou gola tubular, e luvas do tipo mitten (sem divisão para os dedos) com luvas finas por baixo.
Calçados
- Botas de inverno com isolamento térmico, feitas para pelo menos −30 °C. É pelos pés que a noite acaba.
- Garras antiderrapantes ou cravos de encaixar na bota para as ruas com gelo, principalmente em Tromsø.
Para a noite
- Uma lanterna de cabeça com modo de luz vermelha, para não cegar os outros.
- Um tripé, se você quer fotos nítidas. Com ele, celulares com modo noturno se saem bem.
- Baterias de reserva e um carregador portátil, guardados num bolso interno.
- Aquecedores para mãos e pés.
- Uma garrafa térmica, se o passeio não incluir bebidas quentes.
Para o frio seco
- Protetor labial e um hidratante bem nutritivo.
- Óculos escuros para o dia: o sol baixo refletindo na neve ofusca.
Documentos, dinheiro e eletrônicos
- Passaporte ou documento de identidade.
- Um cartão: a Noruega quase não usa dinheiro vivo, e a Finlândia está perto disso.
- A reserva do passeio. Muitos passeios emprestam macacão térmico e botas; confira antes de comprar.
Bom saber
- Clima: Tromsø fica no litoral e tem clima mais ameno (cerca de −6 a −1 °C em fevereiro); no interior da Lapônia, perto de Rovaniemi, a temperatura muitas vezes fica entre −15 e −25 °C, e cai ainda mais nas noites de céu limpo. As noites limpas, justamente as que você quer, são sempre as mais frias.
- Quando ir: a temporada de auroras vai de setembro a março. Fevereiro e março têm dias mais longos para passeios de trenó e de snowmobile, e noites escuras para ver as luzes.
- Tomadas: tipos C e F, 230 V, tanto na Noruega quanto na Finlândia.
- Dinheiro: coroa norueguesa (NOK) na Noruega, euro na Finlândia.
- Entrada: os dois países fazem parte do espaço Schengen. Visitantes de fora da UE devem conferir as regras de visto e de autorização de viagem.